Carla Stephanini destaca fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira e integração das políticas públicas de proteção à mulher em MS
Carla Stephanini destaca fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira e integração das políticas públicas de proteção à mulher em MS
por Neia Nantes | nov 11, 2025 | Geral, Governo, NOTÍCIAS, política | 0 Comentários

Campo Grande (MS) – Em entrevista ao jornalista Joel Silva, no programa Papo Reto do portal TopMídia News, a coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira, Carla Charbel Stephanini, destacou o novo momento da instituição, marcada pela gestão compartilhada entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande, e o avanço das políticas públicas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul.
A advogada, pós-graduada em gênero e relações públicas, explicou que a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande — primeira unidade inaugurada no Brasil, em fevereiro de 2015 — completa 10 anos de funcionamento em 2025, consolidando-se como referência nacional no acolhimento e na proteção das mulheres vítimas de violência.
“Recebi o convite do governador Eduardo Riedel e do vice-governador Barbosinha para assumir a coordenação estadual da Casa. Vivemos agora uma nova fase, de gestão colaborativa, somando esforços com o município e com o Governo do Estado para fortalecer esta casa, que é um modelo para o país”, afirmou Carla.
Estrutura completa e atendimento humanizado
Durante a entrevista, Carla detalhou como funciona o acolhimento na Casa da Mulher Brasileira, que reúne em um só espaço serviços integrados de segurança pública, psicossocial, jurídico e de assistência social.
“A mulher que chega à casa é acolhida por uma equipe técnica, passa pela triagem e é ouvida por psicóloga e assistente social. Se decidir registrar a denúncia, é encaminhada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, e pode pedir medida protetiva. Tudo isso sem precisar circular por diferentes órgãos, o que antes tornava o processo traumático”, explicou.
O local também conta com vara judicial especializada, sala do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) para realização de exames de corpo de delito, e brinquedoteca para acolher os filhos das vítimas durante os atendimentos.
A violência é “democrática”
Carla destacou que a violência contra a mulher não escolhe classe social, nível de escolaridade ou profissão.
“Atendemos mulheres de todas as condições. A violência é democrática. Ela atinge tanto a mulher de baixa renda quanto aquela com situação econômica confortável. A diferença é que umas têm meios para se reerguer mais rápido, mas todas precisam do Estado para garantir proteção e responsabilizar o agressor”, afirmou.
Avanços e desafios
A coordenadora lembrou que Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado do país a implantar uma política pública específica para as mulheres, em 1999, e que desde então houve avanços significativos na área.
Entre as conquistas, citou o Programa Protege, lançado pelo governador Eduardo Riedel, que atua de forma intersetorial com as Secretarias de Cidadania, Segurança Pública, Educação e Assistência Social. O programa busca prevenir, monitorar e reduzir os índices de violência, por meio de ações integradas e educação para o respeito e a igualdade.
“Estamos enfrentando o problema de frente. O Estado está fortalecendo equipes, ampliando a presença de delegadas, defensoras e promotoras, e expandindo as casas da mulher para o interior. Mas é um desafio complexo, que exige ações de curto, médio e longo prazo”, destacou.
Expansão para o interior e atenção à diversidade
Segundo Carla, o Governo do Estado prevê novas unidades da Casa da Mulher Brasileira em Dourados, Corumbá e Ponta Porã, adaptadas à realidade local, inclusive com atenção especial às comunidades indígenas e fronteiriças.
Além disso, foi criado um grupo de trabalho interinstitucional para ampliar a estrutura e adequar os espaços físicos da unidade de Campo Grande, que hoje conta com mais de 260 servidores — quase o dobro da capacidade original de 2015.
“Já recebemos visita técnica do Ministério das Mulheres, acompanhada pelo vice-governador Barbosinha, justamente para garantir que a ampliação da casa atenda à nova demanda. A casa foi pensada para 150 servidores e hoje abriga 260. Precisamos adaptar para continuar prestando um atendimento digno e humanizado”, pontuou.
Dez anos de resultados concretos
Em uma década de funcionamento, a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande já atendeu mais de 53 mil mulheres, e superou 150 mil atendimentos, considerando retornos e acompanhamentos contínuos.
“Esses números mostram confiança e conscientização. As mulheres estão buscando ajuda, conhecendo seus direitos e rompendo o ciclo da violência. É um sinal de evolução da sociedade”, afirmou Carla.
Ela também destacou o papel da imprensa e dos homens na luta contra a violência.
“A conscientização é coletiva. Precisamos da sociedade, da imprensa e dos homens como aliados. É assim que formamos uma cultura de respeito e igualdade”, concluiu.
