Gaeco prende pai e irmãos de Neno Razuk em operação que atinge esquema do jogo do bicho no MS
Ofensiva cumpre 20 prisões e leva para a cadeia o núcleo familiar do deputado; operação mira estrutura que atuava há anos no estado
O Pantanal amanheceu com um dos maiores desdobramentos policiais dos últimos anos. O Gaeco deflagrou nesta terça-feira (25) uma nova fase da Operação Successione, que resultou na prisão do ex-deputado Roberto Razuk, de 84 anos, e dos filhos Jorge e Rafael Razuk — pai e irmãos do deputado estadual Neno Razuk (PL).
As ações ocorreram em Dourados, Campo Grande, Corumbá, Ponta Porã, Maracaju e outras cidades, além de alvos em três estados do país. Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão.
De acordo com o Ministério Público, a operação mira um esquema antigo e estruturado de exploração do jogo do bicho, com atuação organizada, armada e sustentada por um núcleo familiar que teria influência regional e ramificações financeiras fora do Mato Grosso do Sul.
Durante as buscas, os investigadores encontraram mais de R$ 300 mil em espécie, além de armas, munições e máquinas utilizadas para registrar apostas. O material estava em endereços ligados à família Razuk, especialmente em Dourados.
A residência de Roberto Razuk — conhecido por sua trajetória política nos anos 80 e 90 — foi um dos principais alvos da operação. O ex-deputado já havia sido investigado e preso em outras ocasiões, sempre associado a esquemas de fraude e contravenção.
Em Campo Grande, equipes cumpriram mandados na casa de Marco Aurélio Horta, o “Marquinho”, chefe de gabinete de Neno Razuk e homem de confiança da família há quase duas décadas. A polícia também mirou empresários e operadores jurídicos apontados como responsáveis pela administração das apostas.
Embora Neno Razuk não tenha sido alvo direto nesta fase, a operação reacende o debate político em torno do parlamentar. Em etapas anteriores, assessores ligados ao gabinete dele já haviam sido presos em desdobramentos da mesma investigação.
Para analistas, a ação desta terça-feira representa mais um passo na tentativa do Ministério Público de desmontar o que restava das antigas estruturas do jogo clandestino no MS — estruturas que, segundo promotores, funcionaram por décadas com influência econômica e política, especialmente na região Sul do estado.
A investigação segue em andamento e novas fases podem ser deflagradas conforme o material apreendido for analisado.
Fontes: G1 MS, Midiamax, Campo Grande News, Correio do Estado.
