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A dor tem data, mas a violência é diária: MS segue entre os piores estados para mulheres e crianças

No Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, Mato Grosso do Sul volta a ocupar um lugar que nenhuma sociedade civilizada deveria tolerar: entre os estados mais violentos para mulheres e crianças no Brasil.

Os números são brutais — e repetidos.
Somos o 2º estado com mais feminicídios no país.
E lideramos os casos de estupro contra crianças vulneráveis.

Não é acaso. É descaso.
Quando a estatística permanece a mesma ano após ano, significa que a violência virou rotina e a omissão virou política pública não declarada.

A ex- deputada federal Rose Modesto chamou atenção para essa realidade em publicação nesta segunda-feira, reforçando que a data, sozinha, não salva nenhuma vida. No Congresso, ela diz ter atuado para endurecer penas, mas reconhece: não há cadeia suficiente para resolver o que o Estado falha em prevenir.

E ela está certa.
Sem escola atuante, sem família protegida, sem governo vigilante, sem políticas sérias e contínuas, o ciclo da violência permanece intacto.

Enquanto isso, quem paga com a vida são elas — mulheres que não tiveram tempo, voz, oportunidade ou proteção para escapar.

O 25 de novembro só tem sentido quando passa do discurso para a prática.
Quando deixa de ser uma lembrança dolorosa para se transformar em um compromisso real do poder público, do sistema de justiça e da sociedade.
Quando o “basta” vira ação — e não legenda de postagem.

Mato Grosso do Sul não precisa de mais campanhas.
Precisa de coragem política, investimento, educação, rede de apoio funcionando, atenção à primeira infância e responsabilidade do Estado em cada etapa da proteção.

Enquanto isso não acontecer, a data continuará sendo apenas isso: uma data.
E a violência continuará decidindo quem vive e quem morre.

por Neia Nantes

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